Contexto geológico
As áreas onde a Cooper Poconé atua ficam na Província Aurífera da Baixada Cuiabana, alinhadas ao longo de faixas conhecidas como lineamentos mineralizados. A pesquisa acadêmica batizou essas faixas de lineamento Salinas-Praia Grande, a sudeste, e lineamento Cangas-Poconé, a noroeste. É neste último que a cooperativa concentra suas atividades.

Esses lineamentos são, de forma simples, zonas de falhas e fraturas regionais nas rochas, onde se concentram veios de quartzo e halos de alteração hidrotermal. É justamente aí que o ouro se acumula. Essas fraturas nasceram de um evento geológico antigo: o fechamento de um oceano que existia onde hoje fica a Baixada Cuiabana, há mais de 500 milhões de anos, durante a formação do supercontinente Gondwana.

De onde veio o ouro
Uma das teorias sobre a origem do ouro da região é que ele já estava presente, em quantidades muito pequenas, nos sedimentos desse antigo oceano, depositados durante um período glacial extremo conhecido como Snowball Earth, quando o planeta ficou quase todo coberto de gelo. Essa glaciação deixou registros em rochas (tilitos) que aparecem entre os municípios de Poconé e Nossa Senhora do Livramento.
O fechamento desse oceano formou uma cadeia de montanhas parecida com o Himalaia atual, na região onde hoje ficam a Baixada Cuiabana e o Pantanal. O calor e a pressão desse processo geraram as fraturas que hoje formam o lineamento Cangas-Poconé, além de eventos hidrotermais: fluidos quentes que percolaram as rochas do antigo oceano, remobilizando o ouro disperso nelas e concentrando-o nos veios e halos de alteração das zonas de fratura.
Depois desses eventos, a cadeia de montanhas foi erodida ao longo de milhões de anos, formando a depressão que hoje conhecemos como Baixada Cuiabana e Pantanal. A formação de solos, mais recente, criou carapaças lateríticas ricas em ouro. Foi nelas que os bandeirantes descobriram o metal, no século 18, dando início à exploração na região. Hoje, a mineração já não explora essas carapaças e aluviões: o foco está nos veios e halos de alteração que concentram o ouro nas rochas.
